sábado, 14 de maio de 2011

O comer

Rosane de Moura acabou de pegar a filha Manuela na creche e está a caminho de casa depois de mais um dia de trabalho. O emprego dela é em um escritório de promoção de eventos. Os dois filhos mais velhos, Giovanna, de 14 anos, e Arthur, de 10 anos, já voltaram da escola e esperam a mãe e a irmã no pequeno apartamento com uma surpresa.
“Hoje vou fazer macarrão, com brócolis, cenoura e queijo branco. Às vezes, eu boto ervilha, milho. Aprendi na escola”, revela Giovanna. O irmão Arthur de Moura, de 10 anos, não economiza elogios: “É uma delícia. É bom mesmo”. Ele revela que gosta até de cenoura e brócolis e que aprendeu a gostar desses alimentos na escola.
A escola é o Educandário Dom Duarte, criado há quase 100 anos pelo então arcebispo de São Paulo e a Liga das Senhoras Católicas. Hoje, conhecida como Liga Solidária. O Educandário cresceu bastante, atende 3,4 mil crianças, adolescentes e adultos de regiões pobres, como um bairro na periferia da zona oeste da cidade. A ideia é oferecer educação de qualidade e com detalhes que não se encontra em qualquer lugar.

Eles têm uma divertida aula de culinária e principalmente de nutrição. Os ingredientes fazem parte do cardápio da aula de hoje: um arroz de forno reforçado, bolo de cenoura e suco da horta. Os grupos se dividem nas bancadas.

“A gente tem um acordo: a gente faz a receita e todo mundo tem que provar. Se eles gostam, até repetem”, conta a nutricionista Márcia Roberta Stéphano.

O trabalho de educação ou de reeducação do paladar requer paciência e persistência. É um trabalho de formiguinha, como se diz. É preciso diminuir o açúcar, introduzir alimentos saudáveis, como frutas, verduras e legumes. “Vai devagar, mas vai ensinando cada dia um pouco”, acrescenta a nutricionista.
Foi aos pouquinhos que Luana Francisca Alexandre, de 14 anos, aprendeu a fazer bolo. “Comida é importante na vida, porque dá força, energia, vitamina, de tudo um pouquinho. Sem ela, a gente não enxerga muito bem, não pula, não dança, não corre, não fala, não pensa”, afirma.
Foi na escola que Giovanna de Moura, de 14 anos, a filha da nossa promotora de eventos, irmã de Manuela e Artur, descobriu seus talentos culinários. “Quando eu estou nervosa, eu vou cozinhar. É melhor do que, vamos dizer, bater nos meus irmãos. Eu prefiro cozinhar”, brinca a jovem.
Na escola, o assunto é mais sério. O prato principal vai ser um arroz integral, pelo jeito, com brócolis e queijo branco. O queijo branco é a proteína do prato.
“O arroz integral tem bastante carboidrato e bastante fibra, além de ter vitamina B1. O brócolis tem bastante vitamina C, tem ácido fólico e fibras também, que ajudam o intestino.
É um prato leve, super leve”, explica a nutricionista Flávia Medeiros Leite.

“A gente sempre fala para eles: ‘usa a imaginação’. Aqui tem brócolis e tem queijo, mas em casa pode ter cenoura, pode ter um tomate”, esclarece a técnica de nutrição Cristiane Mendes Ferreira.
Imaginação é o que não falta nessa idade e com altas doses de estímulo por parte dos professores. Esse prazer muitos vêm desenvolvendo desde pequenos na escola. Quem é que nunca ouviu na infância aquela frase clássica: ‘para de brincar com a comida, menino’. Não que no Educandário ela tenha deixado de valer, mas, como a ideia é ensinar, nesta fase da vida brincar tem tudo a ver com aprender.

Os pequenos aprendem a identificar os alimentos pelo tato. Em uma experiência sensorial, a criançada pega, sente e, às vezes, estranha.
Como também é importante ensinar de onde vem tudo isso, a programação da turma inclui uma excursão à pequena horta.
No minirrefeitório, feito sob medida, eles próprios se servem, feito gente grande. Seguem experimentando. Não sobra nada.
Enquanto isso, os maiores provam a refeição que eles mesmos produziram. Uns mais, outros menos. Todos acabam levando alguma experiência escolar para casa.
Giovanna faz sucesso. A estudante recebe elogios da mãe enquanto prepara macarrão com brócolis, cenoura e queijo branco. “Ela já fez um monte de receitas, mas esta é a primeira, a primeira vez. Boto fé, porque o arroz dela sai melhor do que o meu”, afirma a produtora de eventos Rosane de Moura.
“Como a adolescência é uma fase de descoberta, de afirmação, eles arriscam os pratos em casa. Fazem com a família, mostram para mãe o que ele aprendeu, o que ele pode fazer melhor”, ressalta a gerente do programa de nutrição, Luciana Mazagão.
“Giovanna é muito difícil para a comida, porque comia muita besteira, salgadinho, tudo que era sorvete. Só queria comer isso. Então, ela aprendeu a cozinhar e aprendeu a educar o paladar dela”, comenta a produtora de eventos Rosane, mãe da jovem.
“Acho que uma pessoa que tem um paladar rico é mais feliz, porque o paladar te remete a uma memória. Um cheiro te remete a uma lembrança. Eu acho que o comer te traz felicidade, o paladar também, com certeza”, conclui Luciana Mazagão.




Edição do dia 13/05/2011
Saiba como fazer em casa o arroz integral com brócolis e queijo branco

Arroz Integral com Brócolis e Queijo Branco
Ingredientes:
2 xícaras de (chá ) de arroz integral lavado
1 litro de água fervente
2 colheres de (sopa) de cebola picada
1 colher de (sopa) de óleo de soja
1 colher de (chá) de sal
2 xícaras de (chá) de brócolis cozidos e picados
1 xícara de (chá) de queijo branco picado
Modo de Preparo:
Em uma panela de pressão , frite o alho no óleo. Acrescente a água e deixe ferver. Depois, coloque o arroz lavado. Acrescente o sal, mexa e deixe cozinhar em fogo baixo. Deixe a água secar e desligue. Adicione o brócolis, o queijo branco e sirva.



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